Prevenção e Tratamento

CONCEITO BASICO DA PREVENÇÃO


A prevenção em Patologia social é um processo ativo de implementação de ações e programas tendentes a modificar e melhorar a formação integral e a qualidade de vida das pessoas numa Ação Antecipatória para evitar riscos e/ou reduzir a freqüência das "enfermidades sociais" (alcoolismo-violencia-uso de drogas- AIDS -etc).

O fenômeno destas situações é de etiologia multifatorial onde as variantes pessoais (biologia e psicologia) dos sujeitos interagem com as características da sociedade que habitam (social-culturais).

As estratégias, os métodos e os meios de um Programa de Prevenção devem adaptar-se a cada região, a cada escola, a cada grau, a cada curso, a cada bairro.

Para a orientação, planificação e organização de projetos o trabalho deve começar a partir de uma primeira rede de apoio político-diretivo fomentando a capacitação de agentes preventivos, encarregados de orientar e dar dinamismo às intervenções e ações programadas para desenvolver um processo permanente de PREVENÇÃO EDUCATIVA COMUNITARIA.


Níveis de Prevenção

a.Primaria: Tende a reduzir a incidência, ou seja, novos casos numa determinada etapa. Pode ser não específica (Promoção da Saúde) ou específica (Proteção a determinadas patologias).

b.Secundário: Destinada ao diagnóstico e tratamento precoce do grupo populacional em situação de risco.

c.Terciária: Refere-se às ações do tipo reabilitadoras (tratamento)

d.Quaternárias: Relacionada com as ações de Integração (socialização).


1.PREVENÇÃO PRIMARIA: Encontra-se na promoção de ambientes estilos de vida saudáveis, evitando o desenvolvimento de problemas com álcool e drogas antes que aconteça. A meta da prevenção primaria é "imunizar" aos indivíduos e ao público em geral e criar ambientes sociais e físicos que sejam positivos para erradicar o problema antes que aconteça. Desta maneira, os programas e estratégias de prevenção do abuso de álcool e drogas estão orientados a influenciar o comportamento das pessoas e os fatores sociais relacionados com o consumo de drogas antes que seu inicio.
Por um lado, é encaminhada para diminuir ao máximo a possibilidade de que os jovens consumam drogas, e por outro lado, a lograr a máxima integração ecológica em seus ambientes.

Assim que, se propõe uma estratégia de intervenção dupla:

■Tentar mudar os fatores determinantes que perturbam o pleno desenvolvimento psicosocial (fatores econômicos, culturais, educativos, sanitários...).
■Tentar mudanças nos indivíduos e nos seus contextos (família, escola, bairro...).


1.PREVENÇÃO SECUNDARIA: Trata de identificar os novos consumidores de álcool e drogas que correm o risco de ter problemas de abuso e ajudá-los a minimizar ou eliminar os riscos. Esses novos consumidores são os consumidores ocasionais de fins de semana, das festinhas, dos encontros casuais nas escolas. A meta da prevenção secundaria é interromper o uso de drogas antes que comece a ser um problema crônico. Às vezes a prevenção secundaria é interpretada como "intervenção mais cedo". Pode envolver-se na identificação antecipada do abuso de drogas ou, em muitos casos, pode derivar-se de crises pessoais que levam ao individuo a buscar ajuda por primeira vez.

Há dois pontos a destacar:

■A identificação precoce destas pessoas e a colocação em marcha da intervenção adequada.
■Reduzir a incidência do consumo antes que este se converta em adição.

Nestes dois níveis a tarefa de prevenção é de promoção e proteção da saúde, onde a ação informativa e educativa é prioritária.


1.PREVENÇÃO TERCIARIA: Orienta-se, principalmente, na reabilitação e reintegração dos indivíduos que já apresentas disfunções sociais ou individuais pela dependência da droga, aplicando modalidades de tratamento para cada caso.

Há dois tipos de enfoques:

1. Um, é o tratamento atual de pessoas que abusam de álcool e drogas.
2. O outro pode ser qualificado de reabilitação preventiva. Esta provê serviços de apoio a alcoólatras e dependentes de drogas em recuperação para prevenir que voltem a seu estilo de vida disfuncional.



Os programas de prevenção serão de âmbito local e seu funcionamento deverá ir acompanhado no conjunto de obrigações e princípios dos Serviços Sociais. É um trabalho interdisciplinar.
Assim que, vemos que a Prevenção é um processo sistemático e continuo (e não ações pontuais) que se utiliza para administrar problemas em níveis diferentes com o objetivo de influenciar positivamente nos comportamentos da população e que levará a cabo por meio de programas de prevenção primaria e de âmbito local.





METODOLOGIA DA PREVENÇÃO



Não se trata de uma transmissão vertical de conhecimentos, atitudes e valores, mas de uma produção que em elaborações sucessivas se assume como projeto próprio do grupo. Os objetivos da Prevenção desde esta ótica se centraliza, em gerar protagonismo permanente por parte de todos os participantes sociais, buscando favorecer atitudes comprometidas para a resolução do complexo fenômeno.

Privilegia-se o formativo sobre o informativo. Promove-se a ação reflexiva.

Estas reflexões sobre as varias tendências nas modalidades preventivas nos permitem introduzir os conceitos de Prevenção especifica e não específica; entendemos a primeira como aquelas intervenções centralizadas diretamente no tema "adições" (Prevenção Educativa), enquanto que a segunda aponta ao desenvolvimento de atitudes e melhoria global das condições da vida (Educação para a Saúde).
Nos últimos anos se tem concedido um espaço privilegiado à educação em toda ação preventiva sem esquecermos que se complementa com medidas imprescindíveis de prevenção não educacionais: policiais, legais, penais, sanitárias e medidas de caráter econômico – político relacionadas com os fatores sociais que favorecem as condutas destorcidas.

Referir-se ao educativo como campo prioritário da prevenção implica ressaltar um amplo espaço de atuação, visto que, a Educação é um processo continuo que acompanha o homem em todos seus tempos (nas diferentes fases evolutivas), se dá através de diferentes meios (linguagens verbais-paraverbais-visuais) e em diferentes âmbitos (recrativos-religiosos-educativos-etc).





O PAPEL DO PROFISSIONAL NA PREVENÇÃO



Vemos que o profissional da prevenção vai desenvolver seu trabalho de uma forma mui peculiar. Sua função normalmente não consistirá em apresentar um programa previamente elaborado à comunidade, por mais que durante sua preparação tenha considerado as particularidades da comunidade a que se dirige. O ideal será que espere que a demanda surja por parte da comunidade ou de algum grupo que a integre. Escutar atentamente e trabalhar tal demanda é o papel que se espera do profissional, muito mais que responder automaticamente com uma programação.

Muito mais que um trabalho na primeira linha, a prevenção pode ser visto como uma tarefa de apoio a outros profissionais, grupos, associações, dos âmbitos mais variados, para ajudar-lhes a reformular suas condições de trabalho no sentido preventivo, e facilitar-lhes quando seja necessário, a elaboração do material ou dos instrumentos necessários, para seguir diante em sua linha de trabalho. É necessário que existam especialistas em prevenção, porém seu papel não dever ser entendido como o de profissionais que impõem seu saber a outros profissionais ou à sociedade. Trata-se de um papel complexo, pelo que escutam as demandas que formulam em matéria preventiva, sem que isso signifique que as aceitem sem ponderar ou analisá-las.

De certa forma, nosso trabalho consiste em "nos compenetremos num trabalho de restituição de conhecimentos aos integrantes do campo social, restituição que nos deve levar a uma posição não de especialistas, mas a de companheiros de outros agentes na busca de novas ações preventivas que estão ancoradas na realidade local (Caupert y Sarton). Isto não anula nosso saber, (nem que não tenhamos um saber) permite que os demais membros da comunidade se convertam em membros ativos.

O profissional deve existir para garantir que o processo seja possível, uma reflexão, uns encontros, e, em grau menor, para proporcionar conhecimentos técnicos e experiências em tarefas preventivas. Este processo levará à comunidade a gerar seus meios, a conhecer suas limitações e a encarar um processo que deverá exercer influência sobre os fatores de risco.
A responsabilidade da prevenção não é apenas dos profissionais, mas da própria comunidade, que decide seguir – ou não seguir – adiante de uma ou outra forma. A prevenção é, necessariamente, um trabalho de médio e longo prazo. Obviamente existem aspectos parciais que poderão ser alcançados com mais facilidade, porém a idéia a transmitir é que nos encontramos diante de um trabalho de longo prazo.

Fonte: http://br.monografias.com/trabalhos/drogas-prevencao/drogas-prevencao.shtml