12.6.10

As drogas na sociedade hoje

Existe um despreparo dos pais aos professores de como lidar com seus filhos em relação às drogas e ao álcool. As pesquisas e as sucessivas estratégias de ação preventiva do governo sugerem que a sociedade ainda não está organizada quanto ao que fazer sobre as drogas e seus dependentes.


Parece que os pais estão divididos em dois grupos: há os mal informados e indiferentes quanto ao perigo das drogas, e há os esclarecidos, mas que não sabem como fazer para que os filhos não se viciem. Ou seja, em ambos os grupos o despreparo dos pais quanto à prevenção da narcodependência é parecido ao que ainda existe em relação à sexualidade dos filhos. (Obs: narcodependência, drogadicção, toxicomania, dependência química, são termos que se remetem ao mesmo problema, porém, cada termo é usado segundo abordagens distintas e momentos históricos específicos das pesquisas e dos debates sobre drogas. Conferir, abaixo, nota sobre a drogadicção).



Os pais que tendem a ansiedade e ao desespero quanto ao assunto, vale registrar a posição do Cedrid (Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade de São Paulo) que recomenda que os pais não devem demonstrar falta de atenção ou indiferença, nem devem transmitir excessiva preocupação, insegurança e pânico, aos filhos.



Também não basta falar sobre os malefícios das drogas, ou levar os filhos a assistir palestras com especialistas ou, ainda, fazê-los ler ou assistir reportagens de ocasião, em geral, superficiais, ingênuas e pouco reflexivas. Atitudes assim, mesmo bem intencionadas – inclusive de governos - , funcionam apenas para "converter os convertidos", mas não atraem, nem sabem seduzir os que já estão no campo de risco. Informar sobre os malefícios das drogas é importante, mas como tema isolado, não forma uma ética de responsabilidade. O caminho da discussão quanto à qualidade de vida parece ser melhor. Daí a Agenda para a referida Semana de Prevenção às Drogas, promovida pelo Governo do Paraná, em 2003, ter como primeiro tema a ser desenvolvido "Qualidade de vida e equilíbrio social...".



O esforço deve ir além de palestras sobre "qualidade de vida". A sociedade precisa se organizar e se preparar ampla e profundamente para educar a criança e o jovem no sentido de enfrentarem os perigos da sociedade contemporânea, em que a droga é apenas um dos vários elementos preocupantes. Trabalhar a nova organização familiar é necessário e urgente. "A família é uma espécie de prevenção e ajuda aos filhos contra o vício", afirma Wagner Gattaz, chefe do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de S.Paulo (por G.Dimenstein, FSP, 20/7/98).



Pesquisas apontam que os jovens com laços afetivos fortes, especialmente dentro da família, tendem a lidar melhor com o fascínio que as drogas oferecem. A historinha do patinho feio marca a importância do sentimento de inclusão em uma família. O sentimento de "familidade" (Osório, 1986 : 177) pode funcionar como prevenção. Todavia, para que esse "laço afetivo forte" exista é necessário que seja construído no dia a dia. O vínculo biológico nada vale se não existir o laço afetivo. É necessário que as funções "pai", "mãe", "irmãos", sejam simbolicamente definidas no imaginário das pessoas. Assim, o jovem que se cria dentro de um universo de referências, como se fosse uma bússola de orientação social e de vida, está mais bem preparado para enfrentar os perigos de nossa época; é mais difícil dele ser seduzido para outro grupo "familiar" ou do vicio.


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